Governo define uso de até 20% do FGTS para quitar dívidas; entenda

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O uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pode ganhar uma nova função em 2026: ajudar diretamente no pagamento de dívidas.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou nesta quarta-feira (29) que o governo federal prepara uma nova fase do programa Desenrola, que vai permitir o uso do saldo do FGTS para quitar dívidas.

A estimativa é de R$ 4,5 bilhões liberados inicialmente, com possibilidade de chegar a R$ 8 bilhões conforme a adesão dos trabalhadores.

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Continue lendo e confira todos os detalhes da nova medida.

O contexto: endividamento recorde das famílias brasileiras

Dados do Banco Central de abril de 2026 mostram que 49,7% da renda das famílias está comprometida com dívidas — nível próximo ao recorde histórico. Mais de 80% das famílias estão endividadas, e o comprometimento mensal de renda chegou a 29,3%.

O governo define o combate ao endividamento como prioridade do primeiro semestre de 2026. Além do Desenrola com FGTS, outras medidas já publicadas em abril incluem o limite do CET do consignado CLT a juros + 1 ponto percentual ao mês e a regulação das cobranças permitidas nessa modalidade.

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Cartão do programa Desenrola Brasil sobre dinheiro e calculadora
Entenda como a nova medida pode ajudar a quitar dívidas. Imagem: Portal Gov

Detalhes da nova medida do governo em abril de 2026

A nova fase do Desenrola é descrita pelo governo como uma política de combate ao endividamento das famílias que une três frentes: o uso do FGTS, descontos nas dívidas e refinanciamento do saldo restante a juros reduzidos.

Os principais pontos confirmados pelo ministro Luiz Marinho:

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  • Até 20% do saldo do FGTS pode ser usado exclusivamente para quitar dívidas, com autorização do trabalhador.
  • O dinheiro não passa pela conta do trabalhador: a Caixa Econômica Federal transfere diretamente ao banco credor após a renegociação ser feita e o trabalhador autorizar o repasse.
  • Descontos de 40% a 90% sobre o saldo total das dívidas elegíveis.
  • Saldo residual: o restante da dívida não coberto pelo FGTS pode ser refinanciado a 1,99% ao mês, em até quatro anos.
  • Fundo Garantidor de Operações (FGO): suporte de até R$ 9 bilhões para cobrir eventuais inadimplências das instituições financeiras no programa.
  • Restrição a apostas online: quem aderir ao programa ficará proibido de usar Pix, cartão de crédito ou qualquer outra modalidade para realizar apostas em jogos online enquanto estiver no programa.
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Quem pode utilizar até 20% do FGTS para quitar dívidas

A medida é voltada para trabalhadores com carteira assinada que têm saldo no FGTS e dívidas ativas nos tipos elegíveis pelo programa. Os critérios confirmados até agora:

  • Renda de até 5 salários mínimos: equivalente a cerca de R$ 8.105 em 2026. O programa é voltado a trabalhadores de menor renda, que têm proporção maior de seu orçamento com juros altos.
  • Ter saldo disponível no FGTS: apenas trabalhadores com conta ativa ou inativa no FGTS podem participar. O uso é limitado a até 20% do saldo total disponível na data de adesão.
  • Dívidas inadimplentes entre 90 e 180 dias: o programa foca em dívidas recentemente inadimplentes. Está em estudo ampliar para dívidas inadimplentes há até dois anos.
  • Tipos de dívidas elegíveis: cartão de crédito, cheque especial e crédito privado não consignado. Dívidas de empréstimo consignado não estão incluídas nesta fase.
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Por que o governo quer usar o FGTS para isso

O FGTS rende atualmente TR + 3% ao ano, que é muito menos do que os juros cobrados pelo cartão de crédito (que pode chegar a 15% ao mês) e pelo cheque especial. Ou seja, manter dinheiro parado no FGTS enquanto paga juros altos é matematicamente desvantajoso para o trabalhador.

Dentro do governo, a avaliação é de que faz mais sentido direcionar recursos do FGTS — cuja remuneração é inferior aos juros do crédito rotativo e do cheque especial — para reduzir passivos mais caros das famílias. A medida também tem um componente preventivo:

  • Transferência direta: ao não passar pela conta do trabalhador, o governo garante que o dinheiro seja usado exclusivamente para quitar a dívida, sem risco de ser redirecionado.
  • Restrição a apostas: a condição de se abster de apostas online durante o programa busca evitar que o trabalhador volte a se endividar pelos mesmos motivos após a renegociação.

O que ainda não foi confirmado e o que esperar

O programa ainda não foi lançado oficialmente. O presidente Lula deve fazer referência à medida em pronunciamento nesta quinta-feira (30), Dia do Trabalhador, mas o detalhamento completo e a operacionalização devem ser anunciados na semana seguinte, a partir de 4 de maio, para que os bancos tenham tempo de operacionalizar o sistema.

O que ainda está em estudo e pode mudar até o lançamento:

  • Prazo das dívidas elegíveis: o governo avalia ampliar de dívidas entre 90 e 180 dias inadimplentes para até dois anos de inadimplência.
  • Benefícios para micro e pequenas empresas: o programa também deve prever condições especiais para MEIs e pequenos empresários, mas os detalhes ainda não foram divulgados.
  • Procedimento de adesão: o passo a passo para renegociar a dívida e autorizar o uso do FGTS será detalhado pelo governo no momento do lançamento oficial.

Acompanhe o portal Assistencialismo Notícias para receber todas as informações sobre o novo Desenrola e as medidas de combate ao endividamento. Aproveite para saber mais sobre o FGTS no vídeo abaixo:

Fonte: www.assistencialismo.com.br

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